Sete e trinta da manhã. Lúcia e Cátia se encontram para pegar o ônibus que as levariam para a escola, onde lecionam. Mas, por causa do tempo chuvoso, se atrasam e perdem o transporte. Decidem pegar um táxi. O taxista, calmamente, percebe a impaciência e a pressa das mulheres e pergunta, sem muito interesse, qual seria o destino. Elas, logo e rapidamente informam o endereço ao motorista.
Durante a viagem, conversam sobre horários de ônibus e da dificuldade que possuem para ensinar seus alunos em sala de aula.
O motorista, chamado José, presta muita atenção e entra na conversa, comentando que era um professor aposentado e que, na sua rotina de professor, sempre procurou se aperfeiçoar para atingir plenamente os objetivos dos alunos. Mas para isso, José comentou que o gosto pela leitura e pela pesquisa sempre foi fundamental para que pudesse atingir seus objetivos como professor.
As professoras, interessadas no assunto, se emocionam e iniciam uma grande discussão sobre a arte de ensinar em sala de aula.
José comenta sobre suas formas de ensinar em tempos passados, pois já havia aposentado a profissão de professor. Lembra com saudade e diz que ensinar exige respeito aos saberes dos educandos, aproveitando a bagagem de conhecimento que os alunos levam para sala de aula, pois no universo do nosso tempo, a informação tornou-se muito acessível a todos.
Lúcia e Cátia comentam que ensinar exige criticidade, com o que José concorda plenamente.
Prosseguiu José, comentando que a arte de ensinar exige ética, retidão e que o professor deve aceitar o novo, quebrando os paradigmas, não aceitando qualquer forma de discriminação, refletindo sua prática em sala de aula e respeitando a autonomia dos educandos. Para o motorista, o professor deve ser tolerante, humilde, alegre, inovador e deve fazer despertar a fome pelo saber por parte do aluno, criando nele curiosidade para o novo.
Pelo caminho, as professoras ficavam em silêncio ouvindo José falar de suas vivências como professor, onde o mesmo continuava afirmando que o ensinar exige comprometimento, saber escutar, disponibilidade para o diálogo e ter um ambiente de amizade entre educando e educador.
Ao chegar na escola, as professoras, admiradas pela sabedoria do taxista, convidam-o para expor suas idéias ao corpo docente da escola.
O professor aposentado, sem exitar, aproveitou o momento e, junto com as professoras, desceu do táxi. Acompanhou-as até a escola e, com o aval da direção, fez ali mesmo, numa pequena sala, uma brilhante exposição de suas idéias sobre o ato de ensinar. Todos os professores se deleitaram com tamanha sabedoria do taxista e procuraram seguir seus ensinamentos.
Depois daquele dia, a escola nunca mais foi a mesma. Os professores revolucionaram suas aulas, mostrando dinamismo, competência e uma nova forma de levar o conhecimento aos alunos, possibilitando-os a uma aprendizagem eficiente e extremamente inovadora. Este processo refletiu em toda a escola e a mesma foi considerada destaque regional, sendo espelho para muitas instituições, pois passou a usar uma filosofia de ensino inovadora, que revolucionou a arte de ensinar.
Lúcia, Cátia e José, hoje, são aposentados, e o táxi já não mais existe, a não ser na boa lembrança destes três personagens que um dia, por acaso, se encontraram.
Vanderlei Camini
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