terça-feira, 17 de maio de 2011

A bruxa e os gênios

            Num reino muito distante, havia uma bruxa que residia num castelo feito com barras de ouro. Junto com a bruxa moravam três gênios que eram irmãos gêmeos e que um dia foram deixados pela mãe perto do castelo da bruxa. Sem ter onde ir, a bruxa acolheu os gênios e os levou para morar com ela. Naquele lugar, o “mal” não existia, somente o “bem” prevalecia entre a bruxa e os gênios, pois naquele reino somente eles habitavam e um precisava do outro para viver.
Naquele reino havia muitas riquezas, principalmente ouro, prata, pérolas e uma árvore que tinha sentimentos e chorava, pois muitas vezes foi vista pelos irmãos derramar lágrimas através de suas folhas delicadas. Quando contaram para a bruxa o que viram, ela não acreditou e desconfiou dos gênios, pois jamais havia visto e nem ouvido falar em árvore que chora.
Um certo dia, os gênios convidaram a bruxa para ir até a árvore que chorava. Ela não hesitou e foi com eles até onde estava plantada a árvore, lugar de difícil acesso e que ficava perto de um rio. Para chegar até a árvore, tinham que atravessar este rio através de uma velha pinguela feita de madeira. Esta pinguela tinha sido feita há muito tempo atrás, e quem ajudou a construir foi a avó da bruxa, ainda quando ela era criança e ia para a escola estudar.
Quando chegaram perto da árvore que chorava, a bruxa se assustou e quase não acreditou no que estava vendo. A árvore chorava mesmo! Mas além de chorar, a árvore tinha outras atitudes que deixaram a bruxa abismada, principalmente quando os gênios ordenavam, a árvore obedecia e fazia o que eles pediam.
Um dos gênios ordenou que a árvore começasse a se balançar; e ela se balançou. Outro ordenou que a árvore desse frutos tão deliciosos como o mel; e ela ofereceu. Outro gênio pediu para a árvore chorar; e ela chorou muitas lágrimas que ao seu redor formou um rio. A árvore produzia um perfume incomparável, jamais visto, um perfume doce e leve.
Assustada ao ver acontecer tantas coisas que até aquele momento não acreditava, a bruxa começou a sentir medo e a ficar cada vez mais triste, pois não sabia o que poderia acontecer com ela na presença dos gênios e da árvore chorona.
Para tudo o que os gênios falavam, a árvore tinha uma resposta e obedecia o que eles a ordenavam. E cada vez mais a bruxa sentia medo. Medo de que os gênios pudessem fazer algum mal pra ela. Medo de que a árvore pudesse destruí-la e que seu reino pudesse terminar por ordem dos gênios e da árvore que chorava.
Foi quando a bruxa teve uma idéia e, num descuido dos gênios, iniciou sua volta para o castelo. Mas ela estava com muito medo, pois tinha que atravessar o rio, numa pinguela antiga e que estava quase caindo.
Quando os gênios notaram a intenção da bruxa, seguiram com ela até a pinguela e ofereceram ajuda para atravessar o rio. Como confiava nos gênios, ela aceitou e assim iniciou a travessia do rio através da pinguela.
Ao chegar aproximadamente no meio da travessia, os gênios ordenaram, através de seus poderes, que a bruxa caísse da pinguela dentro do rio, e se afogasse, e que ninguém poderia salvá-la, pois tinham um castelo, um reino e muitas riquezas da bruxa que seriam repartidos entre os três irmãos.
E assim o fizeram. Quando a bruxa chegou no meio da travessia, os gênios ordenaram seus poderes e a bruxa despencou da pinguela, caiu no rio e se afogou, com os olhares atônitos dos gênios.
            Os gênios retornaram para o castelo da bruxa. Comeram e beberam tudo o que havia e se deliciaram com tanta fartura. Até tocaram música, mas não dançaram. Estavam fartos de riqueza. Nem pensaram mais na pobre bruxa que morreu afogada. Para os gênios, o que importava era apenas a fortuna de ouro, prata, pérolas, o castelo e o reino que tinham para desfrutar.
            Exaustos os gênios foram dormir. Um sono profundo. Um sono perfeito. Um sono tranqüilo para quem tem poderes sobrenaturais.
            Ao acordar pela manhã, os gênios perceberam algo estranho no reino. Já não existia mais ouro, nem prata, nem pérolas, nem mesmo o castelo existia. Ficaram muito tristes. Não sabiam o que estava acontecendo. Mas quando o sol apareceu, junto aos seus raios ultravioletas chegou uma estranha voz que dizia o que cada gênio deveria fazer para salvar o reino.
            Mas tudo o que ouviam eles não compreendiam, pois eram vozes estranhas, vindas do além, de outro reino. Os gênios tiveram medo e foram embora. Ao passarem pela pinguela, notaram algo estranho perto da árvore chorona. Foram até ela e se surpreenderam ao notar que as lágrimas derramadas pela árvore se transformaram em grandes e preciosas barras de ouro. Foi então que os gênios entenderam a dimensão e o valor que possui uma lágrima. Arrependidos se abraçaram e pediram perdão pelo mal que fizeram para a bruxa e prometeram jamais fazer algo semelhante com ninguém, pois o bem sempre vence a maldade, e assim viveram ricos e felizes para sempre.

Vanderlei Camini

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